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ALTERNATIVA PARA UMA CURA AO CANCRO?

Mais de 11 milhões de pessoas são diagnosticadas com cancro todos os anos no mundo inteiro. Os mais frequentes tipos de cancro são o cancro do pulmão e do estômago nos homens, e o cancro do peito nas mulheres. O cancro causa cerca de 7 milhões de mortes todos os anos, um pouco mais de 10% das mortes em todo o planeta. A organização mundial de saúde (World Health Organization-WHO) estima que por volta do ano de 2020 haverá cerca de 16 milhões de novos casos por ano.

Depois de décadas de investigação, a realidade sugere que ainda temos um longo caminho a percorrer até encontrarmos uma cura para o cancro. Os actuais tratamentos para a doença têm também potenciais efeitos secundários gravíssimos. Desta forma, é fundamental que se procurem alternativas para uma cura ao cancro. Neste artigo, exploramos uma destas alternativas que consiste em utilizar o próprio sistema imunitário do paciente para atacar células cancerígenas

A divisão ou proliferação celular é um processo fisiológico que ocorre em quase todos os tecidos e sobre as mais variadas condições. Normalmente, as células crescem e dividem para formar novas células à medida que o corpo precisa delas. Quando as células envelhecem, elas acabam por morrer e novas células tomam o seu lugar. O equilíbrio entre a divisão e a morte celular é regulada para assegurar a integridade de orgãos e tecidos. Mutações no ADN (ácido desoxirribonúcleico) causam perturbações neste processo e levam ao aparecimento do cancro: células que continuam a dividir sem controlo e a originar novas células. Estas células extra podem formar uma massa de tecido denominada de tumor, que pode ser benigno ou maligno.

Os tumores benignos não são considerados como cancerígenos, já que não invadem os tecidos à volta do local de onde surgiu e não se espalham para outras partes do corpo. Em geral, este tipo de tumores pode também ser removido e não volta a crescer, pelo que raramente colocam uma vida em causa. Os tumores malignos, por outro lado, é considerado cancerígeno. Isto porque pode invadir outros orgãos e espalhar-se para outras localizações. Pode também ser removido, mas existe uma maior probabilidade de o mesmo voltar a crescer.

Dito de forma geral, o cancro não é mais do que uma classe de doenças caracterizada por uma proliferação incontrolada de células e pela habilidade destas células em invadir outros tecidos. Quando o número de células cancerígenas aumenta e ocupa zonas do corpo outrora livres, o cancro pode começar a afectar o normal funcionamento de orgãos relacionados com essa zona, colocando assim em causa a vida da pessoa.

O cancro é uma doença bastante complicada de se lidar porque em última instância pode ser considerada como uma doença dos genes. Para que as células começem a replicar descontroladamente, é apenas preciso que os genes que regulam o crescimento da célula estejam danificados.

É extremamente complicado explicar porque é que uma pessoa desenvolve cancro e outra pessoa não, mas como todos nós já ouvimos falar, certos factores de risco aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver cancro. Entre estes factores, encontram-se o tabaco, a luz do sol, alguns químicos, vírus ou bactérias, alcóol e falta de actividade física. Historial de cancro na família e o próprio envelhecimento aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver cancro. De facto, o envelhecimento é o mais importante factor de risco. A maior parte dos cancros ocorre em pessoas com mais de 65 anos de idade. Alguns factores podem ser evitáveis, mas outros não o podem ser de todo. De qualquer das formas, é importante salientar que nem tudo causa o cancro, nem o cancro é contagioso. É certo que algumas pessoas são mais sensíveis que outras aos factores de risco conhecidos, mas estar-se exposto a algum ou alguns factores de risco não significa que essa pessoa irá desenvolver a doença.

Se alguém tiver um dos sintomas ou o resultado de um teste sugerir cancro, é possível realizar mais testes no sentido de concluir sobre a origem dos sintomas e decidir se se trata de cancro ou de uma outra doença qualquer. Testes ao sangue, à urina  e a outros fluídos podem ajudar a determinar um diagnóstico. Contudo, não são suficientes para retirar uma conclusão com 100% de confiança. Um diagnóstico pode também ser elaborado através de imagens de áreas do nosso corpo. Análises destas imagens podem ajudar especialistas a verificar se um tumor está ou não presente. Existem várias formas de criar estas imagens, mas as mais comuns são as de raios X. Uma terceira e última forma de elaborar um diagnóstico ao cancro é através da realização de uma biópsia. Uma biópsia consiste na remoção de um pedaço de tecido (amostra) para análise.

O plano de tratamento ao cancro depende principalmente do tipo de cancro e da fase de desenvolvimento da doença. Em alguns casos, o objectivo não passa por curar o cancro, mas sim o de controlar a doença e reduzir os sintomas durante o maior tempo possível. Grande parte dos tratamentos incluem cirurgia, radioterapia ou mesmo quimioterapia. Alguns envolvem terapia hormonal ou biológica. Os tratamentos podem ser realizados numa área específica, também chamado de terapia local, ou pelo corpo, chamado de terapia sistémica.

Actualmente, a utilização de radioterapia ou quimioterapia é predominante no tratamento de cancros cancerígenos. Ambos os métodos procuram controlar a velocidade a que as células cancerígenas se replicam. No entanto, para além das células cancerígenas, ambos os métodos afectam também células em perfeitas condições. Isto resulta em efeitos secundários que podem colocar a vida de uma pessoa em causa. A chimioterapia, por exemplo, afecta muitas vezes o próprio sistema imunitário do paciente, atacando exactamente o sistema que se desenvolveu com o objectivo de proteger o corpo do paciente.

A maioria dos poucos relatórios de remissões de cancro espontâneas mostram que estas ocorrem depois de uma infecção acidental nas proximidades do cancro. Alguns investigadores também sugeriram que certos casos de cancro tendem a surgir em pessoas que por uma ou outra razão, possuem um sistema imunitário debilitado. Tudo isto levanta a possibilidade de se poder utilizar o sistema imunitário do paciente para atacar o crescimento incontrolado de células cancerígenas. Esta abordagem é superiormente detalhada num artigo (doi:10.1016/j.bihy.2009.08.003) da investigadora portuguesa, Marina António, correntemente a trabalhar na universidade de Washington State.

Em geral, esta estratégia consiste em estimular o sistema imunitário a actuar em regiões específicas de interesse, o que poderá resultar em novos métodos de combate ao cancro. Com tempo, estes métodos poderão se tornar uma alternativa clara aos tratamentos convencionais e importantíssimo, não apresentarão os efeitos secundários gravíssimos que os tratamentos de hoje nos proporcionam.

Márcio Mourão e Daniel Sobral

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