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A amizade entre os povos

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“Isti anu vinti onzi nus fazeh cinkucentu anu ne Malaca, nus mutu tantu alegri”. Edgar Overee

O Senhor Edgar Overee, de 78 anos de idade, conta-nos que  a chegada de Afonso De Albuquerque a Malaca faz agora 500 anos. Diz-nos também que em 1511 Afonso de Albuquerque atracou os seus 18 navios de guerra, cheios de soldados, junto ao Estreito de Malaca, é por essa razão que existe uma rua com o seu nome. A vontade deste povo, de comemorar os 500 anos da chegada dos portugueses a Malaca, é prova das suas raízes de origem portuguesa em confluência com a diversidade cultural que se presencia em Malaca bem como as trocas culturais que se mantêm entre os povos.

Durante a minha estadia em Malaca, questionei algumas pessoas de várias idades com a seguinte pergunta: “Quem foi Afonso de Albuquerque?”, aqui partilho a resposta de um homem de 75 anos: “Albuquerque yosso bisabo di pai. Eli ja fika ne Malacca mutu tantu tempu, eli storia mutu antigu igual yossa linggu. Eli chegah naki 1511, kum mutu tantu barku. Homi bravu” – Albuquerque é o bisavô do nosso pai. Ele chegou a Malaca há muito tempo, faz parte de uma história muito antiga como a nossa linguagem. Ele chegou aqui em 1511, com muitos barcos. Homem bravo.

Ao longo de dois anos, acordou-se entre a Associação Cultural Coração em Malaca e o Painel do Regedor da Comunidade luso descendente de Malaca, que a melhor forma de comemorar os 500 anos seria realizar as celebrações em Portugal e na Malásia (Malaca), que deveriam ser comemorados através da realização de actos e projectos em nome da “Amizade dos dois Povos”, tais como, a colaboração no Projecto Povos Cruzados – Futuros Possíveis.

Auxiliar a comunidade luso-descendente de Malaca no desenvolvimento da tarefa de Registo do Património Cultural, é também uma exigência decorrente da classificação de Malaca como Património da Humanidade, conferida pela UNESCO. A melhor forma de prestar uma homenagem à Comunidade Portuguesa de Malaca (que resistiu, sobreviveu, e que continua a mostrar sinais de vontade de continuar, de marcar a diferença em preservar a sua identidade e tradições de origem Portuguesa), é passando a palavra em Portugal, da existência desta comunidade, de geração em geração. Assim como fazem os luso-descendentes do outro lado do mundo, nós também podemos e devemos passar a palavra à familia e aos amigos, celebrando em conjunto o que nos une, o encontro de culturas iniciado pelos nossos antepassados.

Nota: Este texto foi escrito em 201

Cátia Candeias

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