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O PAÍS DO CATAVENTO

Recentemente foi apresentado mais um manifesto a favor do desenvolvimento regional. Mas será que há vontade para dar a volta ao país do catavento?

O Movimento pelo Interior é encabeçado por Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal da Guarda, onde apresenta 24 propostas para transformar o ostracizado interior que “dança” ao som do país do catavento.

Não tirando o mérito das boas intenções deste movimento que tem o alto patrocinio do Presidente da República, tais medidas estão mais direccionadas para os centros urbanos do interior.

É evidente que a vitalidade desses centros urbanos como sejam:Vila Real, Bragança, Guarda, Castelo Branco, Covilhã, Évora, Beja ou Portalegre, são muito importantes para as pequenas aldeias das suas proximidades.

Porém, a prática confirma-nos que por vezes essa evidência de desenvolvimento e de lógica não resulta.

Em primeiro lugar, e como está organizado politicamente o território português, verificamos que o centralismo de Lisboa não é um exclusivo nacional. Muitas sedes de concelho o fazem na sua pleinitude, por questões eleitorais, centrando os seus esforços e actividades nas localidades com mais pessoas, ou melhor, eleitores.

Também há quem faça por um oportunismo político. Ou seja, investir em localidades com a mesma cor política. Mas razão mais frequente que posso encontrar é mesmo a boçalidade política e o medo de quem pensa diferente, por vezes demasiado à frente do pensamento vigente e da acção política deste país do catavento.

Pode parecer um chavão ou até mesmo há quem pense que, esta coisa de estar sempre a dizer que ter medo das ideias do outros, das ideias que sejam novas, é um discurso de perdedores.

Entre 2003 a 2012, a extinta associação Domvs Egitanae andou apregoar da necessidade da internacionalização do interior de Portugal, na criação de centros de excelência e de marketing internacional sem que os políticos do Interior, se motivassem ou sentissem alguma simpatia efectiva pelas nossas ideias.

Em 2005 ninguém no país do catavento falava com insistência da necessidade de uma estrategia internacional para o interior. Mas eu e a Domvs Egitanae, o fizemos com muito trabalho e sem grandes condições.

Trabalhamos e fizemos diplomacia com várias entidades e embaixadas nomeadamente da Sérvia e da Finlândia. Levamos a minha pequena aldeia, a Bemposta do Campo, através de uma exposição fotográfica a ser conhecida na Europa, sem o apoio da Câmara Municipal de Penamacor, que lá andava e continua com as suas “folclóricas” acções de entretenimento popular.

Orgulhosamente, a Bemposta on the Road, o nome dessa exposição fotográfica mostrou em Londres, Helsínquia, Tallin, Tartu e Santiago de Compostela, as suas particulares, as cruzes de pedra, o seu património histórico e natural, e as suas pessoas…e as que foram retratadas já nenhuma se encontra entre nós.

Olhando para trás, ao final de 15 anos, verifico que são praticamente os mesmos políticos ou os seus delfins a nível nacional e local que continuam à frente deste país do catavento, que é afinal uma das justificações para o retrocesso social deste país em geral e do seu interior em particular. Onde está a regeneração?

Não posso compreender ao fim de quantas e quantas décadas, continuamos a falar na coesão territorial, quando os “senhores” do país do catavento não estão minimamente interessados em cumprir esse preceito constitucional.

Chegado a uma idade adulta que já devia ter juízo, a ver este cenário pouco animador e até sómbrio, que nos é oferecido pelos centralismos, a vontade de voltar a lutar e a desafiar poderá não ser grande para afrontar essa grande cobra cabeluda do centralismo e do egoísmo.

Mas esta também é uma idade para me auto-desafiar antes que tudo seja irreversível.

Confesso, que quando estava a escrever este texto, ouvia ao mesmo tempo alguns clássicos do Rock. Uma que mais chamou-me mais a atenção para o desafio e para o contributo que temos dar à nossa sociedade e a favor de uma regeneração verdadeira foi “Sons of Odin” dos Manowar.

Todavia, em vez de estar a ouvir essa música, o que me regenerava por completo era estar a ouvir e a sentir “Sons of Isibraia”!!!

Bruno Caldeira

 

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