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MAIS DE UM TERÇO DOS EXTREMENHOS VIVEM COM 700 EUROS

Amanhã em Valladolid terá lugar a Cimeira Luso Espanhola, que tem como tema central as relações transfronteiriças. E em boa hora chega! E umo dos indicadores essa urgência é que cerca de um terço dos extremenhos vive com 700 euros por mês.

Nos momentos mais complicados dos ciclos económicos, as regiões e as organizações menos apretechadas sofrem com mais impacto as suas consequências negativas.

Vizinha de Portugal, a Extremadura é exemplo da falta de coesão social, mas sobretudo económica do Estado espanhol.

Os dados macroeconómicos da economia são bem exemplificativos da diferença entre a “ditadura” dos números e a economia real.

Segundo o BBVA Research aponta que a economia extremenha acabe o presente ano com um crescimento do seu PIB de 2,8%. E inclusive, para 2019 o crescimento do PIB desta comunidade autónoma será superior ao do Estado espanhol: 2,6% contra 2,4%.

No entanto, as assimetrias económicas são por mais evidentes. Mais de 400.000 trabalhadores da Extremadura, ou seja mais de um terço dos extremenhos vive com apenas 700 euros por mês, muito abaixo do salário anual médio dos madrilenos que ronda os 24.000 euros.

E com a última grande crise económica, o tecido empresarial da Extremadura ressentiu-se forte, com o encerrramento de quase 1000 empresas.

Todos estes factores económicos revelam a falta de competitividade da economia extremenha face às outras comunidades.

Os sucessivos governos de Espanha não consideram a Extremadura como uma prioridade. E a falta de investimento de Madrid fez com que esta comunidade se transformar-se numa “ilha” no que concerne às comunicações ferroviárias.

As ligações ferroviárias entre a capital de Espanha e a Extremadura estão agora muito estado deveras lastimoso.

E agora, como refere o autor extremenho Chema Trujillo de forma irónica ao El País “o comboio  extremenho tem três velocidades: lento, muito lento e parado”. Esta piada do actor Cáceres revela bem o desanimo dos extremenhos perante a sua situação. Mais 300 incidências foram registadas nos últimos meses, entre avarias e incêndios.

Infelizmente, quase metade dos extremenhos está em risco de exclusão social. Mais concretamente 44,3% do total da sua população, que é a taxa mais elevada de Espanha.

Extremenhos a viver com 700 euros por mês não dá muita dignidade. E do outro lado da fronteira a realidade ainda é pior.

Espera-se que amanhã, Cimeira Luso-Espanhola traga novas perspectivas para inverter este ciclo “negro” económico e social da Raia.

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