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O ADUFE FOI SALVO EM IDANHA

Após muitos anos de esquecimento, a Raia portuguesa, mais precisamente no município de Idanha-a-Nova, o adufe foi salvo.

O labor deste município da raia prol da conservação do adufe, fazem que seja considerado o instrumento musical da região. Se os lisboetas têm a guitarra portuguesa, as gentes da Raia têm o seu adufe.

A Oficina de Artes Tradicionais da Câmara Municipal de Idanha-a-nova é uma das razões porquê o adufe foi salvo.

Situada na zona histórica e composto por 3 pitorescas casas, apresenta um ambiente acolhedor e sereno para os artesãos possam exercer a sua arte.

É um espaço que permite aprender as técnicas milenares e tradicionais, nomeadamente da olaria, da tecelagem, a manufatura de adufes, marafonas, rodilhas, sacolas e muitas outras.  

José Relvas é uma das personagens mais carismáticas de Idanha-a-Nova. Com ele o adufe também foi salvo. Aliás, ele é considerado como o último criador de adufes.

Este salvador de adufes aprendeu a sua arte com o seu pai, e agora lamenta-se que as novas gerações não se interessem por parte da sua cultura.

Os adufes já tocaram com grandes nomes da música portuguesa, como foi o caso do grande Zeca Afonso.

E, revela o segredo da sua arte “os meus adufes duram muitos anos sem se estragar. Mas, o mais importante de tudo é a qualidade da pele de cabra”.

O adufe é um instrumento musical quadrangular bi-membranofone, ou seja, constituído de uma pele que reveste ambos lados de uma armação quadrada, em madeira.

No seu interior são colocadas sementes, grãos de milho, com o fim de valorizar a sonoridade. Nos quatro cantos ondulam fitas coloridas ornamentais.

A sua função exclusivamente rítmica parece ter contribuído, nas regiões onde resistiu, para a conservação dos modos arcaicos dos cantares que acompanhava.  

A sua introdução na Península Ibérica foi realizada pelos árabes, entre os séculos VIII e XII. A influência árabe não se fica pelos instrumentos como também os ritmos terão migrado do norte de África, sobretudo nas regiões onde hoje se situam Marrocos e a Argélia.

Durante a Idade Média a sonoridade do adufe corria todo Portugal, mas com o tempo foi caindo em desuso.

O étimo da palavra adufe parece encontrar-se no toph hebraico, ou no douf arábico, persistindo na ligua portuguesa que do castelhano, como tantas outras palavras que a ocupação árabe nos deixou.

O adufe é instrumento musical tocado geralmente por mulheres, aliás na esteira das tradições hebraica, árabe e mediterrânica.

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