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Escrever uma nova identidade

Escrever uma nova identidade

De alguns anos a essa parte faço sempre uma menção no dia 1 de Junho, à celebração da carta foral de Bemposta do Campo. Mas está na altura de alterar tudo isto, e até mesmo de escrever uma nova identidade.

Escrever uma nova identidade não significa rasurar todas as sensações e emoções que foram sentidas durante todos estes anos. Imaginar e pensar uma nova identidade é apenas um acto de adaptação.

É verdade que as lembranças da nossa tenra e inocente infancia, fazem idílicos aqueles momentos passados na Bemposta do Campo.

A maturação da vida de um individuo vai com o tempo desconstruíndo  as memórias idílicas. E é então que percebemos que Hobbs tinha absoluta razão no seu conceito sobre a natureza do Homem.

É assim! Não há volta a dar!

Desde 2002 que as minhas opiniões defendem a aproximação do poder às suas comunidades.

Em 2021 Portugal continua amarrado a uma deficiente organização territorial.

Depois do 25 de Abril de 1974, o despovoamento das regiões do interior de Portugal foi-se agravando. E em algunas zonas a dinamização social e económica é apenas uma miragem.

É lógico que o modelo de gestão territorial portugués é ineficiente. E as perspectivas para uma mudança não são nada animadoras.

A letargia dos portugueses em geral, sobretudo dos decisores políticos que estão na centralista Lisboa, estão a dar motivos para o aparecimento de movimentos políticos anacrónicos. E em vez de arrepiar caminho, os discursos do status quo são uma constante.

Por veces penso que estamos parados no tempo. Em algunas situações são mesmo típicas do Portugal de Eça de Queiróz, da decadencia do Portugal monárquico. Já outras situações parecem uma copia dos tempos convulsos de 1975.

É sabido que a capacidade de ler os sinais que o mundo emite, não são o forte dos políticos de Lisboa.

Também sabemos que a capacidade criativa para solucionar os problemas dos cidadãos, também não é algo que nutram os políticos de Lisboa.

Há uma evidente falta de capacidade dos senhores do Terreiro do Paço, pelo que só me resta aconselhar para olhem com mais atenção para o modelo de organização territorial de Espanha.

É certo que o modelo auonómico español não está isento de críticas, e em alguns casos tem alguns pormenores de ineficiência. Todavía, comparando o modelo centralista de Portugal continental  com o modelo de organização territorial autonómico de Espanha, podemos dizer que os espanhóis ganham por “goleada” aos portugueses.

E uma das razões para o desenvolvimento de Espanha é a constituição de regiões autonómas e de provincias.

Sei que para os senhores do centralismo de Lisboa, palabras como “provincias” lhes criam fleumas.

“Se o Estado português, se os poderes públicos não têm um especial interesse pelas suas aldeias históricas, como é o caso da Bemposta do Campo, não devem por sua vez, pôr obstáculos à iniciativa privada, nem outras tentativas criativas de dinamização social e económicas supra-nacionais

Bruno Caldeira

As populações do interior não devem e nem podem deixar de lutar pelos seus direitos, pelo o seu desenvolvimento social e económico.

Muitas das medidas para promocionar o seu desenvolvimento são decididas por responsáveis  que estão completamente alheios à sua realidade, estando perfeitamente acomodados ao sistema ineficiente do Terreiro do Paço.

Se não existir uma melhor ideia para que o desenvolvimento territorial de Portugal, inspirar no modelo territorial de Espanha pode ser uma possível solução

As Comunidades Forais

As pequenas unidades territoriais que possam ser criadas, ou seja as antigas comunidades forais podem contribuir para o equilibrio das rivalidades dentro de cada região autónoma.

A diversificação de recursos e de estrategias devem ser adaptadas a cada comunidade.

Se olvidarmos deste principio básico de desenvolvimento, qualquer esforço para optimizar  a descentralização e aproximar o poder das suas comunidades será simplesmente inglório.

Um bom exemplo da boa aplicação deste principio é o País Basco.

Em Euskadi, cada pequena cidade tem o seu núcleo industrial bem adaptado à sua economía.

Por fim, quero fazer uma referência sentida às pequenasa  antigas vilas forais do interior de Portugal. Desprezadas pela III República Portuguesa, como é o caso da Bemposta do Campo, devem exigir o seu respeito, incluíndo a sua compensação histórica, pela importancia que tiveram na consolidação de Portugal como nação soberana.

Infelizmente os poderes públicos portugueses não têm a consciência para ver a importancia da revitalização das pequeñas aldeias históricas dentro de um plano de desenvolvimento territorial nacional.

Se o Estado português, se os poderes públicos não têm um especial interesse pelas suas aldeias históricas, como é o caso da Bemposta do Campo, não devem por sua vez, pôr obstáculos à iniciativa privada, nem outras tentativas creativas de dinamização social e económicas supra-nacionais.

Bruno Caldeira

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