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A Visão Angolana da Relação Económica Angola- Portugal

No decorrer de 2023 tive a oportunidade de experienciar uma janela importante para o meu desenvolvimento enquanto ser humano. Tratou-se de uma estadia de 8 meses em solo português que resultou na minha primeira experiência laboral full-time. Foram sensivelmente 6 meses de relação contratual em uma empresa com mais de 30 experiência dedicados ao sector de fabrico e comercialização de têxteis para lares. Foram seis meses de profundo aprendizado, sacrifício e acima de tudo de dedicação ao trabalho e que no final do dia, mesmo sem estar à espera, resultou numa proposta de parceria para a expansão dos serviços da empresa para o território angolano. Sucederam-se diversas longas conversas em como tudo poderia ser estruturado e tendo certamente a conversa mais marcante decorrido num jantar até altas horas da noite que culminou com uma caminhada à Avenida da Liberdade.

O ponto central das conversações cingiram-se essencialmente em dois pontos, dentre os quais: que apoios existem para as empresas que pretendem efectuar trocas comerciais entre Angola e Portugal e segundo e talvez mais importante, quais as condições actuais de repatriamento de capitais.

E é exatamente por estes campos que quero levar o leitor que está do outro lado, a primeiramente entender e balizar as dimensões e/ou condições actuais da relação económica Luso angolana e particularmente fazer perceber qual é (ou qual deve ser) o papel do ao meu entender o Most Valuable Player (MVP) da relação supramencionada: As empresas.

Dados do Gabinete de Estratégia e Estudos do Governo Português, afirmam no relatório “Comércio Externo de Angola (2017-2021) e Portugal-Angola (2018-2022)” que em 2021 Portugal terá pesado 10,8% no Total das importações angolanas, tendo as maiores quotas, por grupos de produtos, incidido em “Produtos acabados diversos” (23,7%), “Madeira, cortiça e papel” (14,4%), “Químicos” (14,1%), “Máquinas, aparelhos e partes” (13,5%), “Minérios e metais” (12,4%) e “Agro-alimentares” (12,1%).

Em período homólogo Portugal terá pesado 0,3% no Total das exportações angolanas, tendo as maiores quotas, por grupos de produtos, incidido em “Agro-alimentares” (18,7%), “Material de transporte terrestre e partes” (6,0%), “Madeira, cortiça e papel” (5,6%), “Têxteis e vestuário” (3,8%), e “Aeronaves, embarcações e partes” (3,6%), sendo a percentagem restante incidido sobre os produtos energéticos.

A título de conclusão, é cada vez mais patente o futuro desta relação de irmandade iniciada em 1482, com o chegada de Diogo Cão à Foz do Rio Kongo, passa pela diversificação dos produtos exportados, não obstante à inovação tecnológica e de procedimentos que figuram-se de igual modo como o caminho para o sucesso, passando de também pelo usufruto das ferramentas ao nosso dispor para resolução de problemas de escala global.

Varzini Pascoal

Considerando os dados apresentados, verifica-se claramente o esforço existente para a diversificação da carteira de exportações por parte de Angola, eliminando a forte pressão na balança que os produtos petrolíferos ainda possuem. Atentando que os tempos de hoje são pautados pela era da globalização, é bastante importante que Angola ponha em prática um dos maiores princípios filosóficos: “Viver é ser conhecido”. Portanto, urge a divulgação do potencial made in Angola, desde o agrícola, passando pelo pesqueiro até a difusão do que tem sido feito actualmente nas universidades.

O ambiente de negócios de Angola infelizmente continua por um lado a ser um factor preocupante, porém o antigo Secretário de Estado Português para a Economia considera “preocupações naturais” de um mercado com características diferentes do mercado europeu. Entretanto os dados actuais da situação do ambiente de negócios em Angola são tudo menos abonatórios para a atração de investimento estrangeiro, ocupando actualmente 80º posição/160 no ranking global na matéria de ambiente de negócios, bem como a posição 130/176 sobre o índice de doing business. Assim sendo, temos de lidar com aquilo que é o ambiente económico e a perspetiva é encontrar soluções para os problemas que existem, deste modo, como anteriormente descrito, uma das grandes preocupações dos empresários reside ainda na questão do repatriamento de capitais e as taxas de incidência sobre estes valores e sendo que Angola surge na lista dos 10 países com o maior volume de transferências monetárias para Portugal, ocupando a quarta posição, com 251,82 milhões de euros, depois da Suíça, França e Reino Unido, segundo o Relatório da Emigração 2021, urge a criação de medidas de atração de incentivo sobre este desiderato.  

Estima-se que actualmente mais de quatro mil empresas portuguesas exportem produtos e serviços para Angola, sendo que 1250 empresas com capital português ou misto estão presentes no mercado angolano. Logo, é cada vez mais importante, abrir-se o leque de empresas que queiram investir em ambos os países, diversificando o que actualmente tem sido importado e exportado e a participação de organizações como a AICEP ou Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola, pode se revelar fundamental, pois defende-se que o não reconhecimento de uma margem de melhorias seja o primeiro factor para o não desenvolvimento e o histórico existente, aliado ao potencial económico excelente de ambos países dá azo à melhoria da actual segunda posição ocupada por Portugal no que às importações angolanas dizem respeito e o vigésimo lugar no contexto de exportações.

E sendo que a relação Angola-Portugal não se circunscreve exclusivamente à vertente de bens e serviços, acredita-se que o factor científico/cognitivo será a chave para o verdadeiro sucesso desta relação milenar, através da formação de quadros pois durante a minha ainda curta jornada de vida, me tenho apoiado bastante em vários provérbios populares e um dos meus preferidos é certamente “ O básico bem feito, torna-se perfeito”, e que dentre muitas aplicações que este provérbio possa ter, acredito que faça todo o sentido aplica-lo neste contexto, pois a verdadeira economia e o verdadeiro espírito empreendedor em qualquer parte do mundo desde os tempos remotos não consistiu em descobrir o fogo novamente ou reinventar a roda, mas sim em desenvolver e prestar soluções básicas e de rápido acesso ao cidadão, e Portugal é certamente uma referência neste capítulo, pela sua capacidade de desenvolvimento de negócios simples mas de grande impacto.

A título de conclusão, é cada vez mais patente o futuro desta relação de irmandade iniciada em 1482, com o chegada de Diogo Cão à Foz do Rio Kongo, passa pela diversificação dos produtos exportados, não obstante à inovação tecnológica e de procedimentos que figuram-se de igual modo como o caminho para o sucesso, passando de também pelo usufruto das ferramentas ao nosso dispor para resolução de problemas de escala global.

Varzini Pascoal

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