Press "Enter" to skip to content

O impacto das eleições nos Estados Unidos para as Relações Internacionais

O processo eleitoral em qualquer país é um dos grandes momentos em que o povo expressa a sua vontade, elegendo através do voto expresso nas urnas o canditado da sua escolha, aquele que apresentar um programa convincente e que poderá dirigir o destino do povo pelo qual ele foi eleito

Tem-se dito que os Estados Unidos constituem para o mundo, espécie de “berço moderno” da democracia, pois sabe-se que as eleições nos Estados Unidos têm acontecido em vários contextos mundiais, num clima de paz e harmonia, servindo como exemplo a muitos Estados e até mesmo para o resto do mundo.

Hoje, os Estados Unidos estão a viver mais um daqueles momentos, ligado a um período pré-eleitoral, apresentando um ciclo bastante competitivo, em que vão ser intervenientes o actual Presidente, Joe Biden, candidato pelo partido democrata, e o antigo Chefe de Estado, Donald Trump, pelo partido Republicano, que se têm mostrado como principais canditatos a vencer as eleições marcadas para Novembro do ano em curso, deixando para trás Nikki Haley que suspendeu a sua campanha eleitoral no dia 6 de Março.

O contexto actual que se apresenta nos Estados Unidos é bastante desafiador dadas às situações económicas e questões ligadas à imigração, apenas para mencionar estes, vai servir como teste ao Presidente Joe Biden, candidato pelo partido Democrata, e como propaganda eleitoral para muitos candidatados que se encontram na oposição de modo a vencer esta mesma corrida.

Atendendo a inconstância, imprevisibilidade e propaganda do candidato republicano, Donald Trump, que leva, por exemplo, a Europa a encarar com muito cepticismo o papel que os Estados Unidos jogam na arquitectura de segurança europeia e apoio à Ucrânia.

Para alguns sectores nos Estados Unidos, instigados pelo discurso “inflamado” de Trump, os apoios multiformes que os Estados Unidos, através do actual Governo, têm prestado à Europa, representam esforços que se repercutem negativamente na economia americana.

O momento pré-eleitoral é indefinido, não obstante observar-se algumas sondagens feitas através de orgãos de comunicação que têm oferecido uma vantagem equilibrada a Donald Trump, mas sabe-se que o ex-Presindente, tem levado a sua campanha política de forma tranquila, conquistando milhares de eleitores, independentemente do actual processo crime que corre os seus trâmites na Justiça norte-americana, devido ao cenário que marcou o ano de 2021, no capitólio.

As Relações Internacionais são movidas pelos interesses dos Estados retirando a imagem de amizades entre eles, pois os amigos de hoje podem se constituir como os inimigos do amanhã

Em caso de vitória do Presidente Joe Biden, este dará seguimento a sua política externa mantendo o mesmo posicionamento sobre os principais assuntos que dominam a pauta internacional, sem alteração do quadro actual, com maior destaque os apoios à Europa e principalmente à Ucrânia através da OTAN, mantendo a sua sobrevivência contra a Rússia, almejando uma possível vitória.

No campo asiático, a posição permanecerá com os apoios a Israel, que vive uma situação conflituosa com Hamas na Faixa de Gaza, bem como a relação bilateral com o gigante asiático, China, que tem representado para os EUA uma ameaça no domínio económico e principalmente tecnológico.

Para o continente africano não será diferente, na medida em que a República de Angola foi identificada pelo Presidente Biden como um dos principais parceiros no Continente berço, dando seguimento aos apoios na diversificação da economia angolana e na prossecução dos objectivos ligados a paz que Angola, na pessoa do Presidente João Lourenço, tem procurado promover e salvaguardar.

Numa perspectiva diferente, em caso de vitória de Donald Trump, a sua agenda é totalmente contrária à de Joe Biden, na medida em que vai, seguramente, repetir a sua agenda do período 2017-2021, em que as atenções estavam longe de África, procurando apenas manter a boa relação de cooperação e amizade com as super-potências globais. Donald Trump, em várias entrevistas, tem procurado mostrar o seu claro posicionamento perante ao conflito russo-ucraniano, tendo chegado a dizer que acabaria com esta guerra em apenas um dia se for reeleito o que, entre as várias interpretações, se pode presumir uma eventual retirada da ajuda militar à Ucrânia ou à Europa através da OTAN, que é vista como a asa militar que protege os europeus das supostas ideias imperialistas de Moscovo face a Europa.

Por força das palavras de Trump, a União Europeia tem vivido, com o processo pré-eleitoral nos EUA e com os argumentos acima apresentados, momentos de tensão política, que tem levado a união a constantes debates, devido ao cenário nos Estados Unidos que pode ganhar uma nova configuração com uma eventual reeleição de Donald Trump.

Diz-se que os deputados europeus levantaram novos programas ligados à nova estratégia de Defesa e Segurança, com a criação de um Gabinete de Guerra, a promoção da sua resiliência reforçando a sua capacidade em vários domínios de modos a continuar a prestar o seu apoio à Ucrânia e consequentemente encarar a Rússia como principal ameaça à segurança e paz na Europa.

A necessidade de resolver este conflito por via pacífica de forma antecipada, sem depender dos resultados eleitorais nos Estados Unidos é uma posição também apresentada por muitos europeus.

Com isto leva-nos ao entendimento segundo o qual se está perante a um momento da Geopolítica mundial bastante imprevisível e expectante, aguardando-se pelos acontecimentos que virão antes e depois de se conhecer o desfecho das eleições nos EUA marcadas para Novembro próximo.

O momento pré-eleitoral tem movimentando os estados a adoptarem novos posicionamentos e comportamentos com a criação de novas políticas, no cenário da Geopolítica mundial. As Relações Internacionais são movidas pelos interesses dos Estados retirando a imagem de amizades entre eles, pois os amigos de hoje podem se constituir como os inimigos do amanhã.

Joel Adão Cortez

Be First to Comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Raia Diplomática
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.