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Discurso de Bruno Caldeira durante os Prémios Raia Diplomática

Estimado Senhor Javier Vázquez, director da Casa de Galicia em Madrid, Senhores Embaixadores e membros do Corpo Diplomático, Señora Gina Riaño, Secretária-geral da Organização Ibero-americana da Segurança Social, Senhora Manuela Júdice, directora da Casa de América Latina de Lisboa, Señor Cástor Díaz Barrado, director do Centro de Estudos Ibero-americanos da Universidade Rei Juan Carlos, Vencedores/Ganhadores dos Prémios Raia Diplomática, convidados e amigos.

Hoje, estamos aqui reunidos para celebrar como não podia deixar de ser a Raia Ibérica, a Península Ibérica e a sua ligação à América Latina.

Os Prémios Raia Diplomática (antigos Certificados de Honra Raia Diplomática) tem o objectivo de reconhecer o trabalho de personalidades, organizações e instituições da Península Ibérica a favor da sua comunidade. A todos os vencedores as minhas sinceras felicidades.

Como sabemos o mundo de hoje está muito convulso, conflitivo e cheio de desafios para a humanidade.

Vivemos entre a Paz e a Guerra, entre a inovação e o retrocesso. São vários os binómios e os antagonismos em disputa, e queria somar outro: a Raia, a fronteira entre Portugal e Espanha, e o mundo.

Poderei ser repetitivo, mas o legado que representa a Raia Ibérica tem cada vez mais importância no nosso mundo actual.

Palco de outrora de guerras e conflitos militares e políticos entre Portugal e Espanha, contudo as suas gentes continuavam a dialogar (que falta faz o diálogo no mundo) relacionar-se e ajudar-se mutuamente, independentemente das vontades de Lisboa e Madrid.

A relação histórica, política e económica entre Portugal e Espanha transformou-se enormemente com a sua adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), hoje União Europeia.

Se é certo que houve algum desenvolvimento em infraestruturas, todavia não foi resolvido o problema do despovoamento. E curiosamente hoje publicamos uma entrevista ao Senhor Alcalde José Miguel Pérez Blécua de San Xóan de Rio na Galiza sobre os seus esforços e criatividade para lutar contra o despovoamento no seu município.

Algo não está a funcionar no desenvolvimento da Raia Ibérica mesmo com os apoios dos fundos europeus.

A Raia Ibérica tem que primeiro conhecer-se, depois criar um sistema efectivo de mobilidade, de seguida uma estratégia bem integrada para o seu desenvolvimento e internacionalização, e obviamente finalizar com a sua execução bem realizada.

Os valores universais que a Raia Ibérica nos oferece: solidariedade e inter-ajuda merece que nos preocupemos por esta região transfronteiriça.

Assim, num prazo de 2 anos queremos contribuir de forma mais efectiva para o desenvolvimento da Raia Ibérica, através da criação de um “Think Tank” cuja sede será precisamente nesta região transfronteiriça.

Este “Think Tank” organizará todo o trabalho desenvolvido pela Raia Diplomática, e executará as suas acções pelo princípio “Do Local para o Global”.

Não há que ter medo de quer influenciar a transformação para melhor  do nosso mundo a partir de uma pequena aldeia da Raia Ibérica, a Bemposta do Campo”.

E aqui temos uma inspiração que é a Global Exchange de Fuentes de Oñoro.

Revelando agora as futuras actividades da Raia Diplomática para o presente ano: depois do verão vamos firmar a nossa primeira grande aliança estratégica com os nossos amigos italianos da Associação Emiliano-Romagnoli em Espanha.

E no final do ano, a Raia Diplomática terá uma nova vida com o lançamento do seu clube de negócios.

Como sabem hoje celebramos os Prémios Raia Diplomática das edições em espanhol e em português.

No ano passado nos Certificados de Honra Raia Diplomática integramos as categorias de melhor empresa de Portugal e a melhor instituição de Portugal. Este ano como uma das fontes do nosso trabalho é a actividade diplomática, decidimos também integrar a categoria de Melhor Embaixador Acreditado em Portugal.

Estamos muito satisfeitos com essas integrações e houve um grande desenvolvimento na passagem dos Certificados de Honra para os Prémios Raia Diplomática, mas para o próximo ano a celebração dos Prémios Raia Diplomática relativos à edição em português será celebrada em Portugal.

Um dos objectivos destas distinções é ser uma “ponte” entre  a Península Ibérica e a América Latina. E uma outra razão para celebrar também estes prémios em Portugal, é para estimular ainda mais a relação de Portugal com o continente americano, já que geograficamente Portugal também é um país americano. Explico, parte do seu território, as ilhas ocidentais do arquipélago dos Açores estão situadas na Plataforma Continental Americana.

Urge uma nova forma de pensar e de agir, de forma a reposicionar globalmente Portugal. Exige-se uma nova mentalidade para a diplomacia portuguesa, e que não esteja quase sempre acostumada a estar dentro de estruturas e causas que não são prioritárias ou que não exclusivas a sua estratégia como nação global, aliás Portugal foi o Primeiro Império Global do Mundo.

E como dizia o poeta maior da língua portuguesa, Luíz de Camões, que este ano se celebra o 5º Centenário do seu nascimento:

“Os Bons vi Sempre Passear no Mundo de Graves Tormentos

E para mais me espanta

Os Maus vi sempre nadar em Mar de contentamento”

A Raia Ibérica tem que primeiro conhecer-se, depois criar um sistema efectivo de mobilidade, de seguida uma estratégia bem integrada para o seu desenvolvimento e internacionalização, e obviamente finalizar com a sua execução bem realizada

E nesta história de “Bons” quero agradecer profundamente todo apoio que nos foi dado pela Casa de Galiza em Madrid.

Quero enaltecer ao seu director Javier Vázquez Prados e a toda a sua equipa, que conseguiram em pouco tempo, transformar esta Casa como um dos melhores e mais activos centros culturais em Madrid.

Também agradeço a Global Exchange, Gil Family Estates, Flor de Caña e Natas D’Ouro por todo apoio à organização deste evento.

Por fim, quero acabar como começamos: com a nossa Madrinha Isabel Mijares.

Em passado mês de Fevereiro trouxemos uma trágica notícia, o falecimento da nossa Isabel.

Isabel foi a primeira mulher enóloga de Espanha. Química de formação, foi durante a sua vida profissional uma fenomenal divulgadora do vinho espanhol, sempre disponível para ajudar apromover a cultura do vinho, e inclusivamente estava ajudando  a criar no Perú, o vinho produzido a maior altitude do mundo.

Era uma comunicadora excepcional e muito amiga dos seus. Nunca dizia não às solicitações da Raia Diplomática para fazer as catas de vinho depois dos nossos eventos.

Alguns de vocês foram testemunhas no passado mês de Novembro, aqui nesta casa, durante o V Aniversário da Raia Diplomática, na sua última inolvidável cata de vinhos, e que no final a própria Isabel admitia que se divertia muito com os eventos da revista ibérica de diplomacia e negócios. Normal, ela era uma parte fundamental para o êxito dos nossos eventos.

Agora quero contar uma historia.

Na primeira semana do confinamento pandémico, recibi uma inesperada mensagem da Isabel dizendo: “Bruno, como está a Raia Diplomática”?.

Fiquei imensamente surpreendido, sobretudo quando assistíamos a um drama humano à escala global, a nossa “Madrinha” preocupava-se connosco.

Mas há um aspecto que não é conhecido na relação entre a Isabel e a Raia Diplomática, e como já não se encontra entre nós poderei contar:

Por sua livre e espontânea vontade punha-nos em contacto com empresários, políticos, presidentes de comunidades autónomas para ajudar a Raia Diplomática. O problema é que essas pessoas não nutriam o mesmo carinho da Isabel por nós. Não nutriam nada.

A vida às vezes é muito cruel. Esta entrega de Prémios, estava também destinada para reconhecer nossa Isabel como sócia honorária da Raia Diplomática. Os reconhecimentos devem ser feitos em vida, mas o destino da vida não nos permitiu.

Esta foi a nossa humilde homenagem à nossa Madrinha, mas antes de acabar quero fazer um pedido e uma reivindicação.

Mesmo que eu não seja espanhol, solicitar o reconhecimento da Isabel pelas autoridades espanholas: Chefe de Estado, Governo Central e das comunidades autónomas, e demais autoridades públicas, como uma figura histórica da História de Espanha.

Podemos ser suspeitos, mas para a Raia Diplomática, Isabel foi e é a figura maior da História do Vinho Espanhol.

Uma vida inteira a promover e a inovar o vinho espanhol. Pela sua importância histórica, cultural, social e económica, este nosso pedido  é mais que justo.

Madrinha Isabel sempre estarás na nossa alma e coração. Vamos ter muitas saudades tuas.

Espero que disfrutem todos os momentos da entrega dos Prémios Raia Diplomática, e hasta sempre.

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