“Um silencio sepulcral foi sentido quando o seu corpo baixava à terra. De fundo ouvia-se o ruído das lágrimas, e uma mãe que era atingida por uma dor profunda que era incapaz de ver a descida para a eternidade da sua filha”.
Este podia ser o relato da despedida de qualquer pessoa, mas para mim foi o acontecimento mais inquietante da minha vida, o despedir do corpo da minha irmã Catarina.
É também inquietante para um não-crente ter que redefinir as suas convicções filosóficas da vida. Ter que acreditar na eternidade e no poder das almas. O caminho da vida é simplesmente sinuoso e cheio de obstáculos.
E quando eu declaro que as nossas actividades querem tirar o ruído mediático e proporcionar aos nossos leitores e convidados dos nossos eventos uma nova dimensão de interação pessoal, é o mesmo que dizer estão na presença do espírito e da sensibilidade da Catarina
E foram esses obstáculos que a minha irmã Catarina teve ao longo da sua vida que os contornar-los ou até mesmo enfrentá-los com a determinação dos seus valores e da sua vontade.
Foi uma mãe exemplar! Praticamente sozinha criou os seus filhos, com o seu amor puro, mesmo com a interferência dos despiedados que encontrou na sua vida.
Dizia o antigo presidente do Uruguai, José Mujica, também ele falecido, que todos nós temos que escrever um bonito capítulo da nossa vida dedicado à verdadeira vontade de viver, de ser aventureiro ou aventureira, e sair da rotina. E a Catarina escreveu com audácia e com um grande sorriso esse grande capítulo de vida. A sua missão aqui na terra foi mais que superada.
A Catarina foi e será um grande exemplo de audácia e determinação perante os desafios da vida e uma verdadeira mãe coragem, dotada de uma sensibilidade e de racionalidade para ajudar os outros.

Na nossa etapa portuguesa, a Catarina foi a primeira directora de relações públicas da Raia Diplomática. Apesar do pouco tempo que desempenhou essa função, muitos dos seus valores foram transferidos para a nossa publicação. E quando eu declaro que as nossas actividades querem tirar o ruído mediático e proporcionar aos nossos leitores e convidados dos nossos eventos uma nova dimensão de interação pessoal, é o mesmo que dizer estão na presença do espírito e da sensibilidade da Catarina.
Confesso que estou há vários dias para escrever que pequeno tributo escrito à minha irmã Catarina, e as palavras não fluem da forma que gostava que brotassem. Apenas quero terminar com o agradecimento que fiz a todos aqueles que estiveram no último adeus à minha irmã e aqueles que apresentaram as suas condolências à nossa família.
Honrar a nossa palavra é purificar alma! Porque esquecer é morrer!
“Bem-haja a todos que estiveram no último adeus à minha irmã Catarina: à nossa família, às amigas e amigos da Catarina, aos nossos vizinhos e à família Riaz que veio de Inglaterra. Na realidade, foi um adeus à sua matéria e ao seu corpo, mas não à sua alma, aos seus valores, à sua força determinante para ultrapassar os enormes obstáculos da vida, à simplicidade cativante das suas ações e do seu sorriso, à sua resistência descomunal para suportar o sofrimento e para poupar os outros dos seus maus momentos — e também por ter sido a mãe que qualquer filho gostaria de ter. É minha responsabilidade de preservar e promover a sua memória, os seus valores e os seus ensinamentos de vida”.
Bruno Caldeira



















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