As eleições presidenciais portuguesas de 2026, realizadas ontem, confirmaram uma mudança profunda no panorama político nacional. Pela primeira vez em 40 anos, o escrutínio caminha para uma segunda volta, marcada para 8 de Fevereiro, que oporá o socialista António José Seguro a André Ventura, líder do partido de extrema-direita Chega.
Um dos dados mais marcantes da noite eleitoral foi a elevada taxa de abstenção, que atingiu os 47%, refletindo um significativo afastamento de parte do eleitorado do processo eleitoral.
Os resultados finais traçam um retrato de um país politicamente fragmentado, com onze candidatos a dividirem o voto. António José Seguro, apesar de vencer, ficou muito aquém da maioria absoluta necessária para uma vitória direta.
Resultados Oficiais – 1.ª Volta das Eleições Presidenciais 2026
| Candidato (Partido/Corrente) | Percentagem de Votos |
|---|---|
| 1. António José Seguro | 31,1% |
| 2. André Ventura | 23,5% |
| 3. João Cotrim Figueiredo | 16,0% |
| 4. Henrique Gouveia e Melo | 12,3% |
| 5. Luís Marques Mendes | 11,3% |
| 6. Catarina Martins | 2,1% |
| 7. António Filipe | 1,6% |
| 8. Manuel João Vieira | 1,1% |
| 9. Jorge Pinto | 0,7% |
| 10. André Pestana | 0,19% |
| 11. Humberto Correia | 0,08% |
António José Seguro foi o grande vencedor da noite
Os discursos dos dois finalistas traçaram desde logo as linhas da campanha que se avizinha. Num tom presidencial e conciliador, António José Seguro afirmou: “Se for eleito Presidente da República, serei um Presidente para todos os portugueses, e não haverá portugueses de primeira e outros de segunda. O meu compromisso é com a união e a coesão nacional“.
Do lado oposto, André Ventura enquadrou a segunda volta como um claro confronto ideológico. “Esta será uma luta entre a direita e a esquerda”, declarou, apelando à mobilização dos seus apoiantes e prometendo uma campanha intensa.
Com quase metade do eleitorado a não ter comparecido nas urnas e um campo de centro-direita amplamente dividido entre três candidatos, a segunda volta será um teste crucial. O grande desafio para ambos os candidatos será mobilizar não só os eleitores dos outros candidatos, mas será uma grande disputa em defensores da democracia liberal contra a democracia iliberal e contra a actual constituição.
Portugal prepara-se assim para três semanas de campanha intensa que decidirá quem sucederá a Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, num pleito que se configura como um dos mais polarizados e decisivos das últimas décadas.












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