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Imagen de Norbert en Pixabay

Seguro e Ventura Disputam a Presidência da República em Fevereiro

As eleições presidenciais portuguesas de 2026, realizadas ontem, confirmaram uma mudança profunda no panorama político nacional. Pela primeira vez em 40 anos, o escrutínio caminha para uma segunda volta, marcada para 8 de Fevereiro, que oporá o socialista António José Seguro a André Ventura, líder do partido de extrema-direita Chega.

Um dos dados mais marcantes da noite eleitoral foi a elevada taxa de abstenção, que atingiu os 47%, refletindo um significativo afastamento de parte do eleitorado do processo eleitoral.

Os resultados finais traçam um retrato de um país politicamente fragmentado, com onze candidatos a dividirem o voto. António José Seguro, apesar de vencer, ficou muito aquém da maioria absoluta necessária para uma vitória direta.

Resultados Oficiais – 1.ª Volta das Eleições Presidenciais 2026

Candidato (Partido/Corrente)Percentagem de Votos
1. António José Seguro 31,1%
2. André Ventura 23,5%
3. João Cotrim Figueiredo 16,0%
4. Henrique Gouveia e Melo 12,3%
5. Luís Marques Mendes 11,3%
6. Catarina Martins 2,1%
7. António Filipe 1,6%
8. Manuel João Vieira 1,1%
9. Jorge Pinto 0,7%
10. André Pestana0,19%
11. Humberto Correia 0,08%

António José Seguro foi o grande vencedor da noite

Os discursos dos dois finalistas traçaram desde logo as linhas da campanha que se avizinha. Num tom presidencial e conciliador, António José Seguro afirmou: “Se for eleito Presidente da República, serei um Presidente para todos os portugueses, e não haverá portugueses de primeira e outros de segunda. O meu compromisso é com a união e a coesão nacional“.

Do lado oposto, André Ventura enquadrou a segunda volta como um claro confronto ideológico. “Esta será uma luta entre a direita e a esquerda”, declarou, apelando à mobilização dos seus apoiantes e prometendo uma campanha intensa.

Com quase metade do eleitorado a não ter comparecido nas urnas e um campo de centro-direita amplamente dividido entre três candidatos, a segunda volta será um teste crucial. O grande desafio para ambos os candidatos será mobilizar não só os eleitores dos outros candidatos, mas será uma grande disputa em defensores da democracia liberal contra a democracia iliberal e contra a actual constituição.

Portugal prepara-se assim para três semanas de campanha intensa que decidirá quem sucederá a Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, num pleito que se configura como um dos mais polarizados e decisivos das últimas décadas.

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