Preencher uma folha em branco pode ser um enorme desafio. Mas quando o motivo desse preenchimento é a memória, esse vazio transforma-se numa plenitude de emoções.
Especialmente hoje, estou viajando num perfeito vazio.
Pela primeira vez não posso desejar os parabéns de forma física à minha irmã Catarina.
Retrocedendo um ano, no seu próprio aniversário, a Catarina enfrentava a sua última operação ao câncro da mama.
O nosso mundo também vive num estado perfeito vazio, e a nossa humanidade em alguns aspectos vive ainda numa profunda estupidez natural.
As “operações” desmedidas da geopolítica, que até podem dar aos agentes da desordem uma extraordinária “massagem” de egocentrismo, mas para o comum cidadão do mundo, apenas significa viver na tristeza do perfeito vazio.
Mas hoje é o tempo que o perfeito vazio da vida dê lugar à contemplação e ao respeito da melhor mulher e mãe do mundo. A sua coragem e sensibilidade ficarão eternamente na nossa memória.
Temos que transformar a dor e a saudade, em sentimentos mais confortantes e em actos que honrem a grandeza da Vanda Catarina
Também é o tempo de inspirar-nos com os seus valores, para que as situações menos agradáveis da nossa vida, e até mesmo as nossas angústias e infortúnios, vislumbrem uma “luz ao fundo do túnel”.
Ao escrever este texto é também uma forma de catarse, uma pequena homenagem por tudo que fez durante a sua vida e um respeito à sua alma. Pois as almas não têm idade, só têm pureza para que a luz da esperança nunca se apague para os outros.
Hoje, 21 de Janeiro, a Catarina deveria celebrar o seu 44º aniversário.
Reafirmo uma vez mais, que é o meu dever honrar e transmitir os seus valores aos outros, especialmente aqueles que vivem momentos mais delicados. E este ano, vamos pôr em prática essa pretensão.
Temos que transformar a dor e a saudade, em sentimentos mais confortantes e em actos que honrem a grandeza da Vanda Catarina.


















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