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Eduardo Soares, fundador e presidente do LIDE Espanha

LIDE Espanha para fomentar os negocios entre o Brasil e Espanha

Num momento em que Madrid reforça o seu papel como ponte entre a Europa e a América Latina, em especial com o Brasil, nasce uma nova plataforma destinada a aproximar líderes empresariais e a gerar oportunidades de alto nível. A chegada do LIDE España à capital espanhola, com lançamento previsto para este mês de abril, marca mais um passo na internacionalização de uma das redes empresariais mais influentes do espaço ibero-americano.

À frente deste projeto está Eduardo Soares, fundador e presidente da organização em Espanha, que aposta numa proposta diferenciadora: mais do que networking, a criação de uma comunidade sólida de confiança entre decisores. Em entrevista à Raia Diplomática, sublinha o verdadeiro valor da plataforma: “A rede global do LIDE é, provavelmente, o ativo mais valioso que um membro do LIDE Espanha recebe ao aderir à plataforma. Estamos a falar de acesso a uma rede de milhares de líderes empresariais em dezenas de países — não uma lista de contactos, mas uma comunidade real, com encontros regulares e relações de confiança”.

Com esta visão, o lançamento do LIDE em Madrid promete não apenas reforçar os laços empresariais entre mercados estratégicos, mas também posicionar Madrid como um centro privilegiado de diálogo económico internacional.

O LIDE – Grupo de Líderes Empresariais tornou-se uma das principais plataformas internacionais de networking empresarial. Como nasceu a ideia de lançar o LIDE Espanha?

A ideia de lançar o LIDE Espanha surgiu de uma convicção profunda: Espanha e Brasil têm uma relação histórica, cultural e linguística única que ainda não estava a ser totalmente aproveitada do ponto de vista empresarial. Ao longo da minha trajetória como empresário e líder empresarial, percebi que havia uma lacuna real entre as oportunidades concretas que existem entre os dois países e os mecanismos disponíveis para que líderes de alto nível as explorassem de forma estruturada.

Espanha é hoje a porta de entrada natural para o Brasil na Europa — e vice-versa. Madrid, em particular, posicionou-se como o principal hub ibero-americano de negócios, sede de multinacionais, fundos de investimento e centros de decisão. O LIDE já tem uma presença consolidada em dezenas de países, reunindo os mais relevantes líderes empresariais do mundo. Fazia todo o sentido expandir essa rede para Espanha e criar uma plataforma de alto nível que conecte os dois ecossistemas empresariais de forma permanente e estratégica.

Contamos ainda com uma parceria estratégica fundamental: a Câmara de Comércio Brasil-Espanha, que nos oferece uma infraestrutura institucional sólida e uma rede já estabelecida de empresas e relações bilaterais. Esta parceria reforça a credibilidade e o alcance do LIDE Espanha desde o primeiro dia.

O lançamento oficial do LIDE Espanha terá lugar em abril. Quais são os principais objetivos desta nova plataforma no mercado espanhol?

O LIDE Espanha nasce com três objetivos centrais. O primeiro é criar um ecossistema de networking de excelência em Espanha, reunindo os principais líderes empresariais espanhóis e brasileiros residentes ou com operações no país. Queremos ser o espaço de referência onde se tomam decisões, se forjam parcerias e se identificam oportunidades de investimento de forma qualificada.

O segundo objetivo é fortalecer as relações económicas entre Espanha e Brasil, atuando como uma ponte concreta entre os dois mercados. Isso significa facilitar não apenas o diálogo, mas transações reais: joint ventures, aquisições, internacionalizações, projetos de inovação conjuntos. A parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Espanha é essencial neste pilar — ela traz a dimensão institucional que complementa perfeitamente a dimensão de liderança empresarial do LIDE.

O terceiro objetivo é promover uma agenda de competitividade e inovação. O LIDE Espanha será um espaço de debate de alto nível sobre os grandes temas da economia global — digitalização, transição energética, sustentabilidade, segurança alimentar — sempre com foco nas oportunidades concretas para os nossos membros.

A relação económica entre Espanha e Brasil tem vindo a intensificar-se nos últimos anos. Que oportunidades concretas de investimento e cooperação empresarial identifica entre os dois países?

As oportunidades são vastas e estão distribuídas por setores muito diversos. No agronegócio, o Brasil é uma das maiores potências agrícolas do mundo, e Espanha tem uma tecnologia agroalimentar e uma capacidade de processamento que pode agregar enorme valor à cadeia produtiva brasileira. A cooperação em agricultura de precisão, biotecnologia agrícola e processamento de alimentos é uma área de enorme potencial.

No setor energético, ambos os países estão a viver uma transição acelerada para as energias renováveis. Espanha é líder mundial em solar e eólico, com empresas de referência com presença relevante no Brasil. O Brasil, por sua vez, tem uma matriz energética maioritariamente renovável e um potencial imenso em hidrogénio verde. A cooperação entre empresas dos dois países neste setor pode gerar projetos de escala global.

Na área da tecnologia, identifico oportunidades significativas em fintech, agtech, healthtech e inteligência artificial. O ecossistema de startups brasileiro é um dos mais vibrantes do mundo, e Espanha — com Madrid a consolidar-se como hub tech europeu — pode ser a plataforma de acesso ao mercado europeu para muitas dessas empresas.

No comércio de alimentos e bebidas, incluindo o setor vitivinícola, há oportunidades de crescimento considerável. A presença dos vinhos espanhóis no Brasil tem aumentado, mas o potencial ainda é muito superior ao atual. E no sentido inverso, produtos alimentares brasileiros encontram em Espanha um mercado recetivo e um trampolim para o resto da Europa.

O LIDE é conhecido por reunir líderes empresariais e decisores de alto nível. Que perfil de empresários e empresas pretende integrar no LIDE Espanha?

O LIDE Espanha é, por definição, uma plataforma de líderes. Procuramos presidentes, CEOs, conselheiros delegados e membros de conselhos de administração de empresas com relevância real — não necessariamente pelas dimensões, mas pela influência e pelo potencial de criação de valor.

Estamos particularmente focados em três perfis. O primeiro são líderes de empresas espanholas com operações no Brasil ou com interesse estratégico no mercado brasileiro. O segundo são líderes de empresas brasileiras estabelecidas em Espanha ou em processo de internacionalização para a Europa. E o terceiro são líderes de multinacionais com presença nos dois países que reconhecem o valor de pertencer a uma rede que conecta esses dois ecossistemas.

Em termos setoriais, o nosso foco inicial está em tecnologia, agronegócio, energia, alimentos e bebidas, turismo, real estate e serviços financeiros. São os setores onde a complementaridade entre Espanha e Brasil é mais evidente e onde o potencial de criação de valor através do networking estratégico é maior.

Em que setores económicos acredita que existe maior potencial para reforçar os negócios entre Espanha e Brasil?

Se tivesse de eleger os setores de maior potencial, destacaria os seguintes.

A tecnologia é, sem dúvida, o setor com maior dinamismo. A digitalização das economias está a criar oportunidades em todos os segmentos, e tanto o Brasil como Espanha têm ecossistemas tecnológicos robustos que podem beneficiar enormemente da colaboração bilateral.

O agronegócio e a agroindústria são uma área de enorme potencial. O Brasil é o celeiro do mundo, e a sua capacidade produtiva combinada com a tecnologia e o know-how espanhol no processamento e distribuição pode gerar resultados extraordinários.

A energia, em particular as renováveis, é outro vetor estratégico. A transição energética está a criar uma nova indústria global, e empresas dos dois países estão posicionadas para liderar esse processo.

Os alimentos e bebidas, incluindo o setor vitivinícola, oferecem oportunidades concretas e imediatas. Os vinhos espanhóis têm um enorme potencial no mercado brasileiro, que está a sofisticar-se rapidamente. E produtos alimentares brasileiros têm uma presença crescente em Espanha.

O turismo é outro setor com enorme potencial. Espanha recebe mais de 80 milhões de turistas por ano e tem uma indústria hoteleira e de hospitalidade de classe mundial. O Brasil, com a sua diversidade natural e cultural, tem atrativos únicos. A colaboração entre operadores turísticos, cadeias hoteleiras e investidores dos dois países pode gerar projetos muito interessantes em ambas as direções.

O real estate e os investimentos imobiliários constituem também uma área de grande interesse bilateral. Há um interesse crescente de investidores brasileiros no mercado imobiliário espanhol — tanto residencial como comercial — e o LIDE Espanha será um espaço privilegiado para conectar esses investidores com os melhores parceiros e projetos disponíveis no mercado.

Por fim, o comércio bilateral e os serviços financeiros, especialmente à luz do acordo UE-Mercosul em fase de ratificação, são áreas onde a colaboração pode gerar projetos de grande escala e impacto.

O networking estratégico é uma das marcas do LIDE. Que tipo de iniciativas, encontros ou fóruns o LIDE Espanha pretende promover para fomentar novas parcerias empresariais?

O LIDE tem uma metodologia própria que combina três tipos de iniciativas: os grandes fóruns estratégicos, os encontros sectoriais e os programas de match-making qualificado.

Os grandes fóruns serão eventos de referência, com a participação de líderes de ambos os países, onde se debatem os grandes temas da agenda económica bilateral. Queremos que esses fóruns se tornem um momento de referência no calendário empresarial de Espanha e Brasil — eventos onde se fazem anúncios, se lançam iniciativas e se constroem relações que duram anos.

Os encontros sectoriais são reuniões mais focadas, que reúnem líderes de um setor específico para identificar oportunidades concretas de colaboração. No nosso calendário de eventos para 2026, estão já planeados fóruns dedicados a tecnologia e inovação, turismo e hospitalidade, e investimentos em real estate — três setores onde a complementaridade entre Espanha e Brasil é evidente e onde o apetite de investimento bilateral é muito significativo. Além destes, estão previstos também encontros sobre agronegócio, energia e o setor agroalimentar.

O programa de match-making qualificado é talvez o elemento mais diferenciador do LIDE Espanha. Com base no perfil e nos objetivos de cada membro, facilitamos encontros bilaterais específicos entre empresários que têm interesse comum — seja para explorar uma parceria, um investimento ou uma oportunidade comercial.

Tudo isto com o apoio institucional da Câmara de Comércio Brasil-Espanha, que nos permite também conectar o mundo empresarial com o mundo institucional, incluindo representações diplomáticas e entidades públicas de promoção do investimento.

Como poderá o LIDE Espanha servir de ponte para empresas espanholas interessadas em expandir-se no mercado brasileiro?

O Brasil é frequentemente descrito como um mercado complexo, mas essa complexidade tem sido amplamente exagerada. O que é certo é que o Brasil exige relações. O mercado brasileiro funciona muito bem para quem tem os contactos certos, entende as dinâmicas locais e tem parceiros de confiança.

É exatamente aqui que o LIDE Espanha acrescenta um valor único. Uma empresa espanhola que se torna membro do LIDE Espanha passa imediatamente a ter acesso à rede do LIDE no Brasil — uma rede que inclui os principais CEOs, presidentes de empresas, governadores de estado, ministros e líderes da sociedade civil brasileira. Esta não é uma promessa abstrata: é uma rede concreta, com rostos e histórias, que funciona e gera resultados.

Para além disso, o LIDE Espanha, em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Espanha, poderá organizar missões empresariais ao Brasil — viagens de alto nível com agenda qualificada, encontros com decisores e imersão nas oportunidades de cada setor. Estas missões são frequentemente o primeiro passo real para uma expansão bem-sucedida no mercado brasileiro.

E no sentido inverso: que oportunidades oferece o mercado espanhol para empresas brasileiras que desejam investir ou estabelecer-se na Europa?

Espanha é, sem qualquer dúvida, a melhor porta de entrada na Europa para uma empresa brasileira. E isto por razões que vão muito além da língua e da cultura, que por si só já são enormes facilitadores.

Madrid é hoje um dos principais hubs financeiros e tecnológicos da Europa. É a cidade europeia que mais atraiu investimento estrangeiro no setor tecnológico nos últimos anos. O ecossistema de startups e scale-ups madrileno é um dos mais dinâmicos da Europa. Para uma empresa brasileira de tecnologia, ter uma sede ou um escritório em Madrid significa ter acesso imediato ao mercado europeu, ao talento europeu e ao capital europeu.

No setor agroalimentar, Espanha tem uma infraestrutura de distribuição, certificação e acesso ao mercado europeu que é extremamente valiosa para empresas brasileiras do setor. A parceria com distribuidores ou players espanhóis pode ser a chave para entrar no mercado europeu de forma estruturada.

No real estate, o mercado imobiliário espanhol oferece oportunidades atrativas para investidores brasileiros — desde o residencial premium nas grandes cidades até ao imobiliário comercial e logístico. Espanha tem um quadro legal claro e proteções robustas para o investidor estrangeiro.

Em termos gerais, o mercado espanhol oferece estabilidade institucional, acesso ao mercado único europeu, talento qualificado e uma comunidade brasileira estabelecida que facilita enormemente a integração. É, de facto, o melhor ponto de partida para qualquer empresa brasileira com ambições europeias.

A mensagem é simples: as oportunidades entre Espanha e Brasil nunca foram tão grandes, e nunca foi tão importante ter as relações certas para as aproveitar.

O LIDE está presente em vários países e conta com uma rede global de líderes empresariais. De que forma essa rede internacional pode beneficiar os membros do LIDE Espanha?

A rede global do LIDE é, provavelmente, o ativo mais valioso que um membro do LIDE Espanha recebe ao aderir à plataforma. Estamos a falar de acesso a uma rede de milhares de líderes empresariais em dezenas de países — não uma lista de contactos, mas uma comunidade real, com encontros regulares e relações de confiança.

Para um membro do LIDE Espanha, isso significa que quando precisa de um parceiro em São Paulo, tem acesso direto aos CEOs das principais empresas brasileiras. Quando quer explorar o mercado americano, tem acesso à rede do LIDE nos EUA. Quando está a considerar um investimento em Angola ou em Portugal, tem contactos qualificados nesses mercados.

Mas o valor vai além dos contactos. A rede global do LIDE é também uma rede de conhecimento e inteligência de mercado. Os nossos membros têm acesso privilegiado a informação, perspetivas e análises sobre mercados e tendências globais que seriam impossíveis de obter de outra forma.

Na sua visão, quais são hoje os principais desafios para fortalecer as relações económicas entre Espanha e Brasil?

Há três desafios principais que identifico.

O primeiro é o desconhecimento mútuo. Apesar da proximidade cultural, muitas empresas espanholas ainda têm uma visão incompleta do Brasil — veem a complexidade regulatória e fiscal, que é real, mas não veem o tamanho e a profundidade do mercado, nem a sofisticação crescente do empresariado brasileiro. E muitas empresas brasileiras veem Espanha como um país com dificuldades económicas — uma visão desatualizada que não reflete a transformação que o país viveu na última década.

O segundo desafio é a conectividade empresarial — a falta de mecanismos estruturados que facilitem o encontro entre os líderes certos de ambos os países. É exatamente aqui que o LIDE Espanha pretende fazer a diferença. Não basta haver oportunidades — é preciso que as pessoas certas se encontrem no momento certo.

O terceiro desafio é regulatório e burocrático. Os processos de investimento bilateral ainda são mais complexos do que deveriam ser. O acordo UE-Mercosul, quando plenamente implementado, deverá simplificar significativamente o comércio bilateral e criar novas condições para o investimento. Mas, enquanto isso acontece, é importante que as empresas tenham apoio especializado para navegar os quadros regulatórios de ambos os países.

Que papel pode desempenhar o LIDE na promoção de uma diplomacia económica mais dinâmica entre os dois países?

O LIDE tem uma capacidade única de complementar a diplomacia oficial com aquilo a que eu chamo de diplomacia empresarial — a capacidade de aproximar líderes do setor privado de ambos os países e de criar as condições para que o diálogo económico aconteça ao mais alto nível.

Historicamente, o LIDE tem sido um espaço onde presidentes, primeiros-ministros e ministros de economia se encontram com os principais líderes do setor privado. Esta capacidade de congregar os dois mundos — o político e o empresarial — é extremamente valiosa para promover uma agenda económica bilateral mais ambiciosa.

No caso específico de Espanha e Brasil, o LIDE Espanha pretende ser um interlocutor relevante junto das embaixadas, das câmaras de comércio e das entidades de promoção do investimento de ambos os países. Queremos organizar fóruns de alto nível que incluam decisores políticos e empresariais, contribuindo para que a agenda económica bilateral seja mais ambiciosa, mais concreta e mais alinhada com as oportunidades reais que existem.

A parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Espanha é, neste contexto, fundamental. A Câmara tem décadas de história e relações institucionais que se complementam perfeitamente com a rede de líderes empresariais do LIDE. Juntos, podemos exercer uma influência real na agenda económica bilateral.

Para terminar, que mensagem gostaria de deixar aos empresários e investidores interessados em fazer parte do LIDE Espanha?

A mensagem é simples: as oportunidades entre Espanha e Brasil nunca foram tão grandes, e nunca foi tão importante ter as relações certas para as aproveitar.

Vivemos num mundo onde os negócios dependem cada vez mais de confiança e de redes de relações qualificadas. As melhores oportunidades raramente aparecem em documentos públicos ou em bases de dados — aparecem em conversas entre líderes que se conhecem e confiam uns nos outros. O LIDE Espanha é precisamente esse espaço.

Para quem tem ambições de crescimento — seja para expandir para o Brasil, para a Europa, ou simplesmente para fortalecer o seu posicionamento nos setores de tecnologia, turismo, real estate, energia, agronegócio ou alimentos — fazer parte do LIDE Espanha é ter acesso a uma rede sem equivalente, a um ecossistema de líderes que se apoiam mutuamente, e a uma plataforma que abre portas que de outra forma permaneceriam fechadas.

O lançamento oficial acontece em abril, e já contamos com a adesão de líderes de referência. Convido todos os empresários e investidores que partilham da nossa visão sobre o potencial desta relação bilateral a juntarem-se a nós. O LIDE Espanha vai ser uma referência — e quem estiver desde o início terá a vantagem de moldar a sua identidade e a sua agenda.

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